sexta-feira, 26 de junho de 2015

"Para ti,


E num estalar de dedos tudo o que tinha para escrever esvaziou-se-me da mente simplesmente por recordar o facto de que não gostas de ler.
Mas porquê a decisão de escrever?
Porque é uma parte de mim, algo com que sinto uma relação profunda. As palavras audíveis o vento leva-as, a memória apaga-as e até nós, no nosso consciente, alteramos o seu significado, as acções nunca saíram de mim realmente o que eu sinto, sempre foram mais actos que a transmissão de qualquer coisa que viva dentro de mim.
A escrita é a maneira mais pura de transmitir o que sou em parte, o que faço aqui e o que me preenche.
Perguntas-te-me o porquê da “graça”, não sei… não sei!
Há coisas que por mais que reflictamos sobre elas simplesmente não conseguimos explicar a razão de acontecerem. Simplesmente acontecem e é assim que tento lidar.
Não faço ideia o porquê, nem a razão de continuar e teimar em não passar.
Não vieste preencher nenhum buraco ou lacuna que existe-se na minha vida, nunca os tive porque sempre esperei só de mim preencher o quer que falta-se, cabalmente vieste encaixar uma peça neste meu puzzle que eu ainda não tinha conseguido entender o seu lugar.
Por mais noites que passe acordada a tentar perceber, mais razões vou adicionando à lista, como se eu visse as minhas imperfeições espelhados em ti e me apercebe-se que afinal de imperfeita pouco ou nada tenho. A sensação de não pertencer aqui nem a lado nenhum simplesmente desvaneceu e o que me ensinaste, que para ti é tão óbvio, veio abrir-me os olhos para algo que eu só via em parte.
O que gosto em ti? Tanta coisa…
Gosto do teu cheiro, da mistura do teu perfume com o cheiro da tua pele, é quente e acolhedor, faz-me sentir em paz. Sem o turbilhão que normalmente eu sou;
Gosto dos teus olhos, das tuas pestanas compridas, do teu olhar sincero e de como consegues sorrir só com o olhar;
Gosto do teu sorriso, porque quando te ris sinto que vêm mesmo de ti e não por etiqueta da sociedade que nos manda rir quando nos é devido. Gosto das covinhas nas bochechas e do aparelho nos dentes, dão-te um ar de menino traquinas;
Gosto da tua postura calma, emanas que estás sempre no sítio certo da maneira certa;
Gosto do teu mau-feitio, que para mim nunca o entendi como isso mas como uma defesa, algo que enraizaste para os outros te verem forte e impenetrável (por isso afirmares que ninguém vai à bola contigo), mas que aos meus olhos simplesmente sempre vi como a maneira de te protegeres do que nos ataca de todas as frentes e que eu ainda não consegui aprender.
Sempre te senti como frágil e de sentimentos profundos, mas eu posso também estar errada. Errar é o que nos faz seres humanos…
Gosto de ti porque ao pé de ti tudo é tão simples como respirar;
Gosto da tua inteligência, é desafiante! Confesso que sempre foi um problema meu com os outros, não serem desafiantes o suficiente para se tornarem interessantes;
Será que foi por isto?
Gosto da tua maneira de ver o mundo e os outros, do modo como discutes as coisas mais banais como os problemas mais graves, com sinceridade, objectividade e sem floreados ou dar ouvidos ao que a sociedade nos incute desde o momento que viemos a este mundo. Não tens receio de expor o que pensas, sem o medo de ser julgado;
Gosto de ti simplesmente pelo que és, por me teres deixado entrar no teu mundo sem pedires nada em troca e me deixares ser o que eu sou cá dentro. Dizer o que sinto, o que me vai na alma, extravasar a raiva que tenho e não sei controlar, tentares puxar de mim o que tento reprimir como um trauma de infância e tantas outras coisas que nem a ti me atrevo confessar porque a minha cabeça é um turbilhão tão grande de anseios, mágoas, sentimentos que não sei como expressar;
Gosto de ti porque apesar de não perceberes o porquê de eu gostar de ti respeitas-te-me. Mesmo nos dias em que eu preciso de mais e tu só me dás o que tens para dar e que eu mereço, para continuar a ser quem sou e não me perder;

Dizer-te o que sinto nunca foi com a intenção de te magoar ou causar qualquer tipo de afastamento ou confusão. No dia em que disseres basta, para mim bastará, respeito mais os sentimentos dos outros que os meus.
Impeli-me de o dizer pelo simples facto de que se morrer amanhã quero que saibam o amor que sinto por eles, o quão são especiais para mim, o quão especial te tornas-te para mim sem que eu percebe-se o porquê.
Não foi egoísmo por só pensar em mim e no meu umbigo, mas uma necessidade de transmitir o que de bom e puro há em mim, o que me faz sentir viva e sorrir."


21-12-2014

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