sexta-feira, 14 de março de 2008

Não é tudo na vida

Como um pensamento quase obrigatório todos os dias entre o mover de folhas num processo e o pousar dos óculos "preocupo-me mais com isto do que devia!"
Já tive a sorte/ou não de ter experimentado muitos ofícios para poder ter o discernimento claro sobre o que penso do meu trabalho actual.
Já fui tanta coisa na vida... empregada de bar, empregada de mini-mercado, animadora em parque de diversões, auxiliar clínica, administrativa em várias áreas e quase sempre gestora de departamento de vendas, empregada de limpeza em hotel (detentora da chave mestre de todos os quartos), empregada de armazém, técnica de turismo e mais que agora não me estou a lembrar.
E agora o que sou?
Questiono isso há uns meses para cá, desde que o trabalho tem pautado demais os meus dias, me tem causado cabelos brancos e feito com que não tenha tempo para fazer o que me dá mais prazer na vida.
E agora o que faço?
Trabalho... para mim própria. E é isto que me tem tirado do sério. Trabalho por conta de outrém e sou eu que tenho que orientar quais são os meus objectivos mensais, defino as minhas prioridades, a minha agenda, oriento a publicidade, defendo as minhas ideias e sou a primeira a dar opinião quando estão a ser executadas tarefas ou decisões erradas... sou tipo uma consciência aqui (nem sempre bem aceite, mas isso já me habituei).
Há dias que discuto, ralho e faço isto um autêntico inferno. A entidade patronal amua.
Outros que não quero que falem comigo porque não estou para conversas. A entidade patronal amua.
Nos dias que ando bem disposta, levo tudo na boa e não vale a pena vir com pessimismos que a mim não me convencem. A entidade patronal diz que estou chateada com ela...

Tem dias que penso "aí se eu pudesse nem sabes o que te acontecia"

Sabem o que eu gostava agora, e digo isto de cabeça bem assente (como quase sempre tive), que tivesse uma entidade patronal que chegasse aqui e disse-se "Meus amigos a partir de agora vamos seguir este caminho!" e eu deixa-se de me andar a preocupar com aquilo que não é meu e a decidir o que deveria ser decidido pelos outros.
E com isto já lá vão quase 4 anos, já faço parte da mobilia desta empresa e tenho aprendido nos últimos tempos a cortar as amarras e os laços de sentimento.
Não haveria de ser ao contrário?


Do alto da nossa Babilónia( sim, porque não estou sozinha por aqui) vemos algo com futuro e com muito ainda para dar. Mas isso implicaria baixas e ainda não estamos preparadas para isso...
Mas virá o dia em que poderemos ser nós a decidir e colher para nós, só para nós os frutos das nossas decisões.

2 comentários:

Willow disse...

Ai os cabelos brancos do trabalho...

conchita disse...

Espero que esse dia chegue para ti.
Obrigada pela tua visita e pelas tuas palavras!!
Beijos e um bom fim de semana :)