sábado, 16 de fevereiro de 2008

afectos

Penso no quanto muita gente não dá o devido valor às mães, no facto de poderem estar com elas todos os dias ou sempre que quiserem. Saberem que ali a uns minutos de distância elas lá estão pacientes e sempre prontas para nos receber e ouvir.
O que me separa da minha não são apenas uns minutos... são uns largos minutos. Que após quase 10 anos do corte do cordão umbilical parecem cada vez maiores e os momentos que passamos as duas cada vez mais preciosos.
Já por diversas vezes me questionaram sobre esta "estranha" (para muitos, demais do que eu pensava) relacção que tenho com a minha mãe. Não é uma relação de mãe e filha!

É uma relação de melhor amiga!

A quem posso contar todos os meus medos, alegrias, dúvidas, tristezas, a quem posso ligar e chorar até cair para o lado e ela somente me dizer "chora que te faz bem!"...
A quem conto tudo o que faço ou deixo de fazer, quem eu sei que posso contar sempre para tudo, que eu sei que me vai dizer sempre o que lhe vai no coração, quem o Hugo sabe que pode contar.
A quem espero grandes sermões quando passo muito tempo sem ligar ( o que se tornou um mau hábito nestes 10 anos... ser sempre eu a ligar!).
A quem me pede ajuda em primeiro lugar para tudo o que ela precise.

Amanhã vamos estar as 2. E para o outro fim-semana também.

Não imaginam a minha alegria!

E é em momentos como estes que penso em todos os que conheço que não dão valor às suas mães.
A eles escrevi este post...
A eles digo "abram aos olhos e vejam quem vos colocou no mundo!"
A ele digo "agradeçam todos os minutos que estão com as vossas mães!"

E os pais? Eu não me esqueço do meu, mas ele é para mim muito especial! Muito diferente, uma verdadeira caixinha de surpresas. O meu pai sou eu e eu sou o meu pai. Eu vejo-me nele como num reflexo na água limpída do lago.
Dele eu sei o que posso esperar e até adivinhar os seus passos. E o que ele espera de mim?
O meu amor até ao resto dos seus dias.
Por tudo o que me ensinou e me fez chorar para aprender!
Por tudo o que me aturou sem nunca me ter repreendido!
Por tudo o que teve que arranjar por eu ter destruído!
Por tudo o que sou!

Eu tenho uma relação estranha com os meus pais. Para mim eles não são os meus pais, não os vejo como os criadores da minha carne e do meu sangue. Vejo-os como criadores da minha realidade e do meu mundo.

Tenho-lhes um respeito muito diferente do que os meus colegas têm com os pais.


E tenho um mano, só para quem não sabe! É o meu filho... e eu era a mãe dele.

Um puto com pinta de empresário e um materialista de primeira.
Passa a vida a dar-me na cabeça e a passar-me sermões que eu chamo de "santo António aos peixes". Ele é a minha consciência e quem me chama à razão. Com ele discuto imensas dúvidas minhas e dele recebo grandes conselhos e que, por incrível que pareça, sigo sempre...

Desde miúdos que dizemos que ele há-de abrir uma grande empresa e eu hei-de trabalhar para ele.

E é ele a única pessoa à face da terra que não consigo imaginar a sua morte. Não me consigo imaginar sem ele, do outro lado do telefone, do outro lado no msn, no quarto ao lado do meu (como sempre tivemos).

13 comentários:

Cartas a Si disse...

Não podia concordar mais contigo. A minha mãe é TUDO para mim. Não consigo imaginar o meu mundo sem ela.
Também a mim me faz confusão como há pessoas que não dão valor aos pais. Os pais fazem tudo por eles e quando precisam deles ou de apenas um carinho, um gesto de amor, acabam por não ter retorno. Mas do que essas pessoas se esquecem é que, muito provavelmente, um dia também vão ser pais e os seus filhos vão imitar os seus gestos.
Um bom dia para ti e para a tua mamã.
Abraço.

Isália disse...

O meu pai sempre foi um pai que não demonstra os seus sentimentos...Cheguei mesmo a pensar que ele não gostava de nós...Deus me perdoe...De há 5 anos para cá é que percebi realmente a falta que ele me faz e o quanto nós somos importantes para ele e ele para nós.Na eminência de perder quem realmente gostamos é que damos o devido valor...Graças a Deus tivemos outra oportunidade para mostrar o quanto o amamos...Já a minha mãe...sempre foi a minha eterna confidente, o meu porto de abrigo...enfim...o mesmo digo da minha irmã... que apesar de sermos muito diferentes completamo-nos

FUXIQUICES disse...

Ol� Gabi, vim aqui para "ver" se estava tudo bem com voc� e qual n�o foi a minha surpresa encontrar um post sobre m�e. Hoje mesmo andava aqui a sismar de saudades da minha, j� l� v�o 3 anos que n�o a vejo. Um oceano inteiro nos separa. Todas as semanas falo com ela pelo telefone, mas nada substitui o olhar nos olhos e sentir o que se esta passando naquela cabecinha. S� quando percebemos o valor e a import�ncia que nossos pais tem nas nossas vidas � que podemos dizer, verdadeiramente, que somos adultos, maduros. Na inf�ncia s�o nossos herois, na adolescencia os nossos "carrascos" e na vida adulta o nosso porto seguro. Feliz � aquele que sabe dar valor � familia, sobretudo aos pais. Beijinhos
Sueli Ferraz

Anónimo disse...

Gabriela,
Sou visita assídua do teu blog e sinto-me em casa. Revejo-me em muitas das tuas palavras e nenhum post seria mais apropriado do que este para deixar comentário. Amo o meu pai e a minha irmã incondicionalmente, sinto por eles um amor que não tem explicação!
Nem sempre consigo enfrentar a vida com um sorriso e exteriorizar os meus sentimentos negativos é a minha grande dificuldade, mas as tuas palavras confortam-me...
um beijinho,
Carla
P.S. Lembraste quando querias um topo de bolo diferente dos que se costumam ver? Enviei-te um email exactamente no momento em que encontraste o blog da Sandra. Coincidências...

Willow disse...

Bem.. tenho aqui muita coisa para ler. :)
A minha relação com a minha mãe (e com o meu pai, também) tem vindo a crescer. Acho que ainda não estou no sítio onde tu estás, a minha mãe ainda não é a minha melhor amiga e confidente, mas isso não quer dizer que não a ame muito. Apenas temos uma relação que ainda está a esticar as pernas.
Tenho um bocadinho de inveja tua nesse departamento.

Monica Pereira disse...

A tua mãe é um espectáculo. A familia ás vezes quando está longe faz-nos ver as coisas de outra perspectiva. Por isso estima-os. Não tens outros.

Gabriela... disse...

P/ CARTAS A SI,
Acho que andamos a concordar uma com a outra.
Eu penso que um dia quando tiver filhos quero que eles tenham a mesma relação que eu tenho com os meus pais. Acho que seria o céu...

Gabriela... disse...

P/ ISÁLIA,
Sei bem o que sentiste. O meu pai durante 17 anos foi um pai ausente, um pai que só estava em casa de 15 em 15 dias e me repreendia por tudo e por nada. Eu sempre fui uma criança mimada... talvez por ter crescido sempre agarrada à minha mãe. A minha infância foi sozinha em casa com a minha mãe que não trabalhava. Desde que o meu pai passou a estar todos os dias presente na minha vida é que me apercebi que com ele podia contar para tudo e que ele agia tal e qual como eu... ou eu tal e qual como ele.
A nossa relacção tem crescido em todos os sentidos desde ai.
Quanto à minha mãe, muito facilmente passamos na rua como 2 irmãs... somos muito parecidas de cara. hehehe

Gabriela... disse...

P/ SUELI,
Disseste uma grande verdade quanto ao nossos pais. Quando somos adultos são o nosso verdadeiro porto de abrigo.
A minha mãe ainda esta semana me dizia que a fase que estou a passar agora que a ela lhe faz lembrar exactamente o que passou pouco depois de casar. Acho que eles também se revêem um pouco em nós e no que fazemos.
Beijo enorme do coração

Gabriela... disse...

P/ CARLA,
É claro que me lembro de ti! Fogo, como me ri ao ler o teu mail naquela altura.
Fico muito lisonjeada que continues a passar por aqui para ler os meus desaires e desabafos diários.
E fico muito feliz de coração que a partir do que escrevo consigas tirar algum conforto para a vida do dia a dia. Para mim esse é um grande elogio.
Muito obrigado!
Beijo enorme

Gabriela... disse...

P/ WILLOW,
Tudo precisa do seu devido tempo para crescer e esticar as folhas ao sol.
Nós temos vindo a alongar às nossas folhas há 10 anos para cá...
E estamos numa quase plenitude do nosso relacionamento.
Fico corada com a tua inveja!
Beijo enorme

c!nn@m0n disse...

ola!
antes de falar sobre o texto queria agradecer a tua visita e o teu comentário no meu blogue, obrigado mesmo!

quanto ao teu texto... eu concordo contigo mas, infelizmente, não tenho a tua sorte!
eu tenho uma relação super distante com a minha mãe e há certos assuntos que não consigo falar com ela... acho que sempre me habituei a falar com os meus amigos devido a essa distância.
o meu pai é super parecido comigo e entende-me na perfeição e quanto ao meu irmão é excelente... falamos sobre tudo ( apesar de ele ter alguma vergonha as vezes! )
adorei o teu texto... =)

beijinhos

Gabriela... disse...

P/ C!NN@M0N,
Obrigado pela visita.
Infelizmente eu sei que a relação que tenho com os meus pais para muita gente é algo que nunca sentiram.
Ainda bem que tens o teu pai e o teu mano, eles valem por todas as outras coisas menos boas.
Beijo enorme