quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sinto-me quente por dentro

Tenho pensado muito na morte, pensado e falado.
Não na morte espiritual que essa todos nós passamos em algumas alturas da nossa vida, mas sim na morte física. Aquela que nos rouba o sopro da vida e nos arrebata o bater do coração e nos torna gélidos por dentro e por fora.

No fim-semana passado o marido fez parte da equipa que socorreu ( mas não socorreu...foi buscar simplesmente) o rapaz de 21 anos que morreu em Alcobaça a fazer motocross. Estava morto, sem floreados ou sinónimos bonitos, estava morto simplesmente.

A morte é tão injusta, mas também nunca ninguém disse que a vida era justa...

Têm-me feito que pensar, como daqui a uns segundos eu posso sair do escritório, descer o degrau e um carro desgovernado vir ao meu encontro. Tão simples como isto!
Porque afinal assim o é!

Tenho acalmado o coração com um pensamento de uma rapariga com que trabalhei há uns anos, ela dizia que todas as noites mesmo que anda-se chateada com o marido faziam as pazes antes de dormir e dava-lhe sempre o beijo mais caloroso, do fundo do coração como ela sentia. E porquê? Porque quem lhe garantia que no outro dia acordassem os 2 e não apenas só 1... e nunca poderiam mais fazer as pazes.


Nos últimos dias tenho pensado muito na morte.
Mas sinto-me quente cá por dentro, sei que se morrer hoje não deixo assuntos pendentes ou mágoas por acalmar, feridas por sarar.

14 comentários:

Cor de Chá disse...

Eu sei que vai parecer estranho, mas achei lindo este teu, poderei chamar-lhe desabafo? gostei muito de ler, até porque quase ninguém fala neste assunto é que talvez aquilo que temos de mais garantido e certo.

Um grande abraço

Gabriela... disse...

P/ ISABEL
Obrigado.
Existem assuntos que parecem ser tabus nesta nossa sociedade... e eu não acho que seja motivo para isso.
Acho que devemos falar deles com a maior naturalidade e como tu dizes é"aquilo que temos de mais garantido e certo" na vida.

Beijo enorme

sophia disse...

eu acho que pensamos pouco na morte - na nossa e dos que nos são próximos. porque é doloroso, porque é misterioso, porque é inevitável.

a tua amiga disse palavras sábias...

Rita Ameixa Maria disse...

Já viste que se viverem 99 anos ainda tens muito que pensar na morte?
Melhor pensar na vida, sempre é mais útil.
Não se deve aproveitar alguém, fazer as pazes, dizer o quão importantes são para nós porque temos medo de não estar cá amanhã mas sim porque os amamos e queremos viver a felicidade deles durante toda a sua vida, dia a dia, durante muitos anos... não é?
E os sapatos, se não fosse o padrão, eram muito giros! :P
Beijo gordo!

Monica disse...

pois é escreveste o que se calhar todos pensam mas ninguem é capaz de falr , porwur nao parece que tem medo de atrair sei la. eu tambem penso muita vezes.´mas tambem nunca falo com ninguem. mas é algo do qual ninguem pode fugir .

beijocas e bom fim de semana

Gabriela... disse...

P/ SOPHIE
É verdade, também concordo que pensamos muito pouco nas coisas mais certas.
Acho que se pensássemos mais não nos seria tão doloroso aceitar a perda dos que nos são queridos.

Kiss

Gabriela... disse...

P/AMEIXA
Ò como eu gostaria de viver até aos 99!! Seria a gaja mais feliz porque teria uma eternidade para dissertar sobre estes assuntos...
Na vida penso todos os dias, por isso sou tão deliz... acalento o coração a preparar-me para as mágoas maiores que um dia poderão atingir-me e roubar-me o sorriso.
Quanto aos sapatos também não curto o padrão, acho que não têm muito a ver comigo, mas agora dei em vestir-me de gêmea com a minha cunhada e estes sapatos é tipo a nossa "curte" de fim-semana. As duas esgroviadas de sapatos à tigre ... all nigth long!

Beijo magrinho

Gabriela... disse...

P/ MÓNICA,
Se falar em coisas boas atraí-se hoje não me calaria a dizer que queria ganhar o euromilhões!! hehehe
Acho que o destino é coisa fatídica, não é por falarmos mais ou menos em coisas más que vai alterar alguma coisa. Acredito no karma e contra isso nada feito.
Nós gerimos a nossa vida nas pequenas coisas que nos rodeiam. Mas já reparam que existem situações que parece que estamos impotentes para fazer o quer que seja?
E o quanto pensamos "porquê a nós?", ai sim é inevitável dizermos que achamos a vida injusta!
Acho que as pessoas devia falar mais, pensar mais e exorcizar esses pequenos demónios.

Beijo enorme e bom fim-semana

Sílvia disse...

Olá Amiga... estou a ver que estás inspirada... é bom!Quanto a este assunto também acho que devíamos falar mais dele, sobretudo para que tenhamos consciência dele.E sei que se tivermos mais consciência do nosso fim e do fim dos outros vamos viver a nossa vida de modo mais intenso, sem stress e sem mesqunhices...sem preocupações banais...
Por isso há que pôr essas cabeçinhas a funcionar e dar valor ao que realmente interessa.

Monica disse...

pois eu sei que falar nao atrai, mas neste assunto da "morte" parece que nao falamos com medo disso mesmo. nao é facto de falarmos das coisas que faz com que elas aconteçam, mas como a morte é uma coisa inevitável e que nao tem retorno evitase falar.

Gabriela... disse...

P/ SILVIA
Disseste tudo!

Gabriela... disse...

P/ MÓNICA,

Eu percebo o que dizes e também já fui assim confesso. Fechava-me em 4 copas sobre os assuntos que me atormentavam.
Mas desde que tenho passado por experiências das quais não falava porque pensei que fossem o fim do mundo e ter consegui ultrapassar tudo, agora nem falar da morte... do nosso fim... me assusta.
Eu entretanto conto uma experiencia que tive recentemente sobre mais um assunto tabu para muita gente.
Kiss

Isália disse...

Na semana passada também faleceu um rapaz que andou comigo na escola num acidente...e também pensei assim...pra quê nos chatearmos se a vida é tão curta? Pensei nisso principalmente quando o meu pai foi operado e agora que este rapaz faleceu a dias de se casar...com um futuro todo pela frente...quantas coisas ficam por dizer, quantas manifestações de carinho ficam por fazer...mas é a vida...

Gabriela... disse...

P/ ISÁLIA

Bem verdade o que dizes, são essas situações que me criam a revolta cá dentro. Tanto planos, tanta coisa por fazer, tantas pessoas a depender de nós... como fica isso tudo?
Fica suspenso no ar, à espera que a dor passe. Porque as pessoas não falam na morte e não se preparam para ela e a dor é maior em algo que desconhecemos.

beijo enorme